Atualizado às 20h01O TST (Tribunal Superior do Trabalho) determinou à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) que sejam mantidos 30% dos funcionários em cada uma das unidades dos Correios, sob pena de multa diária no valor de R$ 50 mil. Os funcionários da ECT estão em greve desde a quarta-feira (16).
O tribunal agendou para a quinta-feira (24) a audiência de conciliação para que as partes cheguem a um acordo. De acordo com informações de ambas as partes, o percentual estabelecido pelo TST já está sendo cumprido: enquanto a Fentect fala em 65% dos servidores paralisados, a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) diz que apenas 24% dos trabalhadores não estão em seus postos.
Dos 35 sindicatos filiados à Fentect, dez não estão em greve, segundo a entidade. Optaram por sair da paralisação, na tarde desta segunda, os Estados de Maranhão e de Mato Grosso do Sul. Os demais sindicatos, inclusive São Paulo, permanecem sem atividade.
Segundo a ECT, a carga de entregas com atraso é de 34,6 milhões de correspondências e 339 mil encomendas. Seguem suspensos os serviços com hora certa - Sedex 10, Sedex Hoje, Sedex Mundi e Disque-Coleta. O Sedex funciona, mas sem garantia de prazo para entrega, afirmam os Correios em nota.
No total, os Correios possuem 116 mil funcionários. A maioria dos trabalhadores paralisados é formada por entregadores, motoristas, operadores de triagem, funcionários de agências, motoqueiros, entre outros, segundo a Fentect.
ReivindicaçõesOs trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 41,03%, aumento linear de R$ 300 para todos os funcionários, além de redução da jornada de trabalho e contratação de mais servidores por concurso. Os Correios apresentaram sua contraproposta, que valeria para os próximos dois anos, oferecendo aumento salarial de 9%, reajuste linear de R$ 100, aumento no valor do vale-refeição de R$ 20 para R$ 21,50 por dia.
O que mais causa rejeição entre os trabalhadores entre todos os itens da proposta da estatal, e que está sendo decisivo para a continuidade da greve, é o acordo valer pelos próximos dois anos. Os funcionários exigem que o acerto valha somente até o ano que vem, segundo a Fentect.
"O governo quer fechar um acordo com as estatais pelos próximos dois anos porque quer afastar a possibilidade de greves e protestos por melhores salários em ano de eleição e, assim, evitar desgastar o candidato do presidente", diz Nilson Rodrigues, integrante da Fentect em Curitiba.
Lula pede fim da greveEm discurso durante a inauguração das obras da BR-448, em Sapucaia do Sul (RS), na sexta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um recado para os dirigentes dos sindicatos de trabalhadores dos Correios colocarem um fim à greve da categoria. "O bom dirigente sindical é aquele que tem coragem de começar a greve e tem coragem de acabá-la", disse.
Rodrigues, que entregou à presidência a lista de reivindicações dos trabalhadores, rebateu: "o próprio Lula, quando era dirigente sindical, acabou com greves que ele não poderia ter acabado. Inclusive a história mostra que teve momentos em que ele foi 'pelego'".
A Fentect também reivindica redução da jornada de trabalho sem redução de salário, fim da terceirização, auxílio creche e educação, contratação de mais servidores e reintegração dos servidores demitidos, participação nos lucros no acordo coletivo, entregas de correspondência no período da manhã e fim dos assédios morais e sexuais.
A estatal afirma que não pode oferecer proposta melhor e que, por esta razão, recorreu ao TST. O argumento é que oferecer um reajuste maior prejudicaria a saúde financeira da estatal e dependeria da liberação de recursos do Ministério do Planejamento. Segundo os Correios, as negociações com os trabalhadores se arrastam por mais de um mês.
Como evitar transtornosPara evitar transtornos com a greve, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) orienta as empresas a disponibilizarem outros canais para que as contas que chegam por intermédio dos Correios sejam pagas, além de informar os clientes sobre a medida.
Segundo o Procon, os consumidores também têm a responsabilidade de procurar a empresa e descobrir meios de pagar as contas. "Não é porque a conta não chegou que o cliente não tem que pagar, mas as empresas têm que disponibilizar novos meios e avisá-los", afirma Fátima Lemos, assistente de direção do Procon.
Caso o cliente não receba a correspondência e não haja tempo hábil para efetuar o pagamento de outro modo, a empresa não deve cobrar multa e juros, de acordo com Lemos. "O mais certo é pagar uma segunda via sem multa e juros."